Nos 12 meses encerrados em julho, índice que reajusta os contratos, o IGP-M, avançou 8,24%; mercado ainda desaquecido tem ajudado a segurar os preços de locação.
Impactado pela desvalorização do real e pela greve dos caminhoneiros, o índice de inflação mais usado para corrigir os reajustes dos aluguéis teve forte avanço no último ano e pressiona o valor dos contratos. Apesar da alta, o mercado ainda desaquecido tem ajudado a segurar os preços médios de locação.
Após ter recuado 0,52% em 2017, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), subiu com força este ano e já acumula alta de 8,24% nos 12 meses encerrados em julho, segundo divulgou nesta segunda-feira (30) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Os contratos de aluguel costumam ser reajustados com base na variação acumulada dos 12 meses anteriores.
A diretora de locação da Lello, Roseli Hernandez, que administra cerca de 11 mil imóveis alugados no país, diz que o índice vem sendo aplicado em todos os contratos, mas que isso só ocorre por causa do comportamento do IGP-M ao longo do ano passado.
“Não houve um caso sequer de pedido para reajustar abaixo do IGP-M, porque no ano passado o índice foi negativo e deu uma certa ‘vantagem’ ao locatário”, explica Roseli.
Um indício de que o mercado desaquecido tem ajudado a segurar a alta pode ser medido pela pesquisa mensal de locação do Secovi-SP (Sindicato da Habitação). Em São Paulo, principal mercado imobiliário, o valor de locação recuou 0,6% no acumulado de 12 meses encerrados em junho. No mesmo período, a variação do IGP-M foi de 6,93%.
“É um sinal de que os inquilinos estão conseguindo negociar o valor do aluguel”, afirma o diretor da vice-presidência de Gestão Patrimonial e Locação do Secovi-SP, Mark Turnbull.
Preço de locação e IGP-M acumulado em 12 meses. (Foto: Infografia G1) Preço de locação e IGP-M acumulado em 12 meses. (Foto: Infografia G1)
Preço de locação e IGP-M acumulado em 12 meses. (Foto: Infografia G1)
A variação do IGP-M também está bem acima da chamada inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que subiu 4,39% no acumulado em 12 meses até junho.
“Embora o IGP-M sirva como indexador dos valores de aluguel, será um pouco difícil eles subirem tanto, já que o mercado está muito retraído”, considera o superintendente adjunto de índices gerais de preços do FGV/IBRE, Salomão Quadros.
Segundo o pesquisador, é provável que o setor imobiliário adote outros índices de inflação para fazer os reajustes, como o IPCA, ou que cresçam as negociações diretas para corrigir os aluguéis, que não estão subindo.
Leia na íntegra: Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/07/30/com-dolar-alto-e-greve-inflacao-do-aluguel-sobe-com-forca-e-pressiona-reajustes.ghtml
